Crítica: Tríptico de um colega


A primeira coisa que me chamou atenção nessa composição foi o fato de as fotos não estarem alinhadas, mas isso acabou dando uma característica diferenciada ao todo, quando se analisa as imagens com cuidado. Minha primeira visão foi de um ambiente cavernoso na primeira e na segunda figura, por causa do formato em que a folha de papel foi disposta. Dessa forma, o alinhamento incomum do tríptico começa a fazer sentido, já que o "espaço vazio" central poderia ser interpretado como a entrada de uma caverna e as fotos como suas paredes. É uma espécie de metalinguagem. 

Pessoalmente, eu diria que a primeira foto evoca uma atmosfera sombria, pois lembra um ambiente vasto, alto, escuro e eu diria que até frio, uma sensação provocada pelo contraste forte entre preto e branco. Já a terceira imagem, apesar de se diferenciar das demais por não ser uma forma fechada, torna-se interessante pelo enquadramento, que foge do eixo central, e por causa de uma sombra mais demarcada que as outras nas dobraduras. Além disso, ela se assemelha a algum tipo de escultura moderna e a impressão é de que a folha de papel pode ser, na verdade, uma chapa de metal/ alumínio. 

Por fim, a imagem central, a qual é dado o destaque, devido à sua posição, deixou a desejar. Dá, facilmente, para perceber que se trata de  uma folha de papel e a representação em si, mesmo se parecendo com a primeira pela forma superior curva, é vazia, sem nenhum tipo maior de expressividade, ao contrário das outras. O ângulo torto da câmera também me causa certo desconforto. Talvez, se a foto tivesse sido tirada de baixo para cima, tentando não entregar que a figura é formada por um papel, a composição tivesse ficado mais harmônica. 

Mesmo com as considerações feitas, acho que o tríptico cumpre sua função, pois percebe-se a relação entre as três imagens, evidenciada pelas dobraduras em "zigue-zague" no papel.



Este segundo tríptico é bem interessante, começando pelo fato de que a disposição das fotos foi feita de tal forma que parece se tratar de apenas uma imagem. Além disso, não se consegue distinguir o que a figura representa, vemos apenas dois borrões vermelhos. No entanto, isso não é necessariamente uma coisa ruim, pois abre margem à interpretação da obra pelo público. Gostaria de saber qual objeto foi utilizado para resultar nessa luz vermelha. A obra me causou bastante curiosidade. 

O fato de a luz em primeiro plano estar mais desfocada que a em segundo plano me incomoda um pouco, ao mesmo tempo que, se a imagem tivesse suas linhas bem definidas, o efeito etéreo da forma representada seria perdido. Em resumo, considero este um bom trabalho. Consigo vê-lo facilmente pendurado em uma exposição de fotografia.  





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