Parágrafo: Animação Cultural - Vilém Flusser
O texto se trata de uma metalinguagem, uma vez que é narrado por um objeto (uma mesa) e fala sobre objetos. Essa é uma estratégia muito interessante, pois dá à narradora certa voz de autoridade para defender os pontos abordados, como, por exemplo, o direito da "liberdade objetiva", que, segundo ela, é um problema. A Mesa destaca que os objetos são vistos como meros produtos da ação humana e "vivem" como escravos da sociedade, quando na verdade, se são as pessoas que dependem dos objetos para executar suas atividades, deveriam ser elas a serem submetidas aos objetos. E isso realmente acaba acontecendo nos dias atuais, em que a tecnologia é que determina os fluxos sociais e "escraviza" as pessoas de tal modo que se torna impensável fazer parte de uma vida desconectada. Desse modo, tornando um objeto cotidiano, aparentemente passivo, um porta-voz de um alerta para mudança de comportamento, Vilém Flusser também critica a a passividade das pessoas diante da cultura de massas, a qual é alienante e padronizadora. A partir daí, o autor passa a discutir o conceito de Animação Cultural , um processo que visa estimular a participação ativa das pessoas na criação e na transformação da cultura, provocando não o entretenimento e a transmissão de conteúdos prontos, mas o pensamento crítico, o diálogo e a expressão criativa. Sendo assim, a narradora instiga o ser humano a ser um agente animador cultural, a perceber que a cultura de massas limita a individualidade e a percepção dos problemas que rodeiam a vida em sociedade. Por fim, voltamos à imagem da mesa, objeto fundamental na realização de debates desde os primórdios da história, demonstrando, então, a intenção do autor de nos fazer questionar a ordem da cultura vigente, se é que podemos chamá-la assim. "Se até uma mesa pode pensar, por que nós também não deveríamos?" é o questionamento que fica.
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